A escápula(é comum os pacientes se referirem a ela como “a pá”), devido à sua relativa mobilidade propiciada pela sua articulação com o tórax e por sua vasta cobertura de partes moles,é um osso que raramente sofre fraturas . Como ocorre geralmente em pacientes politraumatizados, deve-se sempre fazer avaliação geral dos sobre outras fraturas e demais sistemas(trauma toráxico, abdominal, traumatismo cranioencefálico) quando se verifica um paciente com este tipo de fratura.
São fraturas que ocorrem em traumas de alta energia, como supracitado,e as fraturas articulares podem estar associadas a luxação do ombro propriamente dito(a luxação que ocorre entra a glenóide e a cabeça umeral).
No exame do paciente, geralmente há lesões /lacerações da pele local e isso deve ser levado em conta quanto à ao acesso cirúrgico a ser usado na abordagem desta fraturas.Deve-se sempre verificar lesões neurológicas periféricas(plexo braquial) principalmente os nervos axilar, músculo cutâneo e supraescapular, bem como lesões vasculares, como a artéria braquial e artéria radial.
Quanto à abordagem radiológica, já podemos observar alterações, se for o caso, nas radiografias de tórax iniciais realizadas no primeiro atendimento, onde também se investiga traumas pulmonares e fraturas associadas como claviculares / costelas ipsilaterais e/ou contralaterais. Ainda nesta primeira abordagem, deve-se observar comparativamente se há dissociação escapulo torácica, bem como fratura distrativas de clavícula quando as lesões neurovasculares são mais comuns.A seguir realizamos as incidências específicas para ombro, com as radiografias em anteroposterior verdadeiro, perfil de escápula e axilar.A tomografia computadorizada , preferencialmente em 3D,pode ser necessária para dirimir dúvidas e/ou quando há fraturas da glenóide associadas.
A maioria das fraturas de escápula são minimamente desviadas e são de tratamento conservador(o “não cirúrgico”), com imobilização por seis semanas seguida de fisioterapia.Como fraturas desviadas são incomuns,é difícil para qualquer cirurgião de ombro e/ou de trauma obter maior experiência com tais casos, e a indicação de cirurgia para os mesmos ainda são tema de discussão e não há ainda um protocolo rígido para a conduta.O que é unânime, é que as fraturas desviadas articulares( da glenóide) são de indicação cirúrgica, e o acesso cirúrgico, bem como o tipo de fixação(placas e/ou parafusos), vai depender das características da fratura.
